Como Abrir uma Empresa em 2026: Passo a Passo Completo
Abrir uma empresa deixou de ser um processo tão burocrático quanto era há alguns anos. Com a integração digital entre Junta Comercial, Receita Federal e prefeituras por meio da Redesim, hoje é possível formalizar um negócio em poucos dias em boa parte do país. Mas 2026 trouxe uma mudança importante: com a implementação do Módulo de Administração Tributária (MAT), parte da Reforma Tributária, o regime tributário precisa ser definido antes mesmo da emissão do CNPJ — o que torna o planejamento inicial ainda mais decisivo.
Se você está pensando em sair da informalidade, migrar do MEI para uma empresa maior, ou simplesmente começar do zero, este guia reúne tudo o que você precisa saber.
Passo a passo para abrir sua empresa
- Defina o modelo de negócio e a viabilidade. Antes de qualquer registro, vale entender o que será vendido, quem é o público e quais são os custos fixos previstos.
- Escolha o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Esse código define a atividade principal e secundária da empresa e influencia diretamente impostos, licenças e enquadramento tributário.
- Escolha o tipo societário. MEI, ME (faturamento até R$ 360 mil/ano), EPP (entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões/ano) ou LTDA são os formatos mais comuns para pequenos e médios negócios.
- Defina o regime tributário com apoio contábil. Com o MAT, essa etapa precisa acontecer antes da solicitação do CNPJ — por isso contar com um contador desde o início deixou de ser opcional.
- Registre o contrato social (ou requerimento de empresário) na Junta Comercial do seu estado.
- Solicite o CNPJ junto à Receita Federal.
- Faça a inscrição municipal e, se necessário, o alvará de funcionamento na prefeitura da cidade onde a empresa vai operar.
- Providencie a inscrição estadual, caso a atividade envolva comércio ou indústria.
- Emita o certificado digital e abra a conta bancária pessoa jurídica.
No caso do MEI, o processo é mais simples: tudo é feito de forma gratuita e totalmente digital pelo Portal do Empreendedor (gov.br), sem necessidade de contrato social.
Documentação necessária
A lista varia conforme o tipo de empresa, mas os documentos mais solicitados são:
- RG e CPF de todos os sócios (ou do titular, no caso de empresário individual);
- Comprovante de residência atualizado;
- Definição do CNAE e da atividade a ser exercida;
- Contrato social ou requerimento de empresário, no caso de ME, EPP ou LTDA;
- Comprovante de endereço do estabelecimento (ou declaração, em caso de sede em casa);
- Conta gov.br ativa, para os trâmites digitais;
- Documentos adicionais específicos da atividade, como licenças sanitárias, ambientais ou de corpo de bombeiros, quando aplicável.
Para o MEI, basta ter documento de identificação, endereço e acesso à conta gov.br — sem necessidade de comprovantes físicos.
Custos envolvidos
Os valores variam conforme o estado, o tipo de empresa e o modelo de contabilidade escolhido, mas de forma geral:
- MEI: abertura gratuita. O custo mensal fica concentrado no DAS, que gira em torno de R$ 75 a R$ 90, incluindo INSS e, dependendo da atividade, ICMS e/ou ISS.
- ME, EPP ou LTDA: o custo total de abertura costuma variar entre R$ 500 e R$ 2.500, considerando taxas da Junta Comercial (em geral entre R$ 100 e R$ 600), alvará municipal (R$ 50 a R$ 200) e honorários contábeis.
- Custos recorrentes: além dos impostos mensais (DAS ou apuração do regime escolhido), é preciso considerar honorários contábeis (que costumam ficar entre R$ 200 e R$ 1.000/mês para pequenas empresas), certificado digital e sistema de emissão de notas fiscais.
Uma boa prática é manter uma reserva equivalente a pelo menos três meses de capital de giro, para que a operação não fique comprometida logo nos primeiros meses.
Escolha do regime tributário
Essa é uma das decisões mais importantes — e também uma das que mais gera dúvida. Os três principais regimes são:
- Simples Nacional: unifica os principais tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia (DAS). É indicado para a maioria das micro e pequenas empresas, mas nem sempre é a opção mais econômica.
- Lucro Presumido: pode ser vantajoso para empresas de serviços com folha de pagamento baixa, dependendo da margem de lucro da atividade.
- Lucro Real: obrigatório para empresas com faturamento mais alto ou determinadas atividades, com apuração sobre o lucro efetivo.
Com a Reforma Tributária, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) começou a substituir PIS e COFINS em 2026, e o IBS entra em vigor em 2027 no lugar de ICMS e ISS. Empresas do Simples Nacional continuam recolhendo por guia unificada, mas com ajustes no cálculo. Por isso, a escolha do regime — que antes podia ser revista depois — hoje precisa ser simulada com cuidado logo no início, já que o MAT exige essa definição antes mesmo da emissão do CNPJ.
Erros mais comuns ao abrir um negócio
- Escolher o CNAE errado. Um código mal enquadrado pode levar a empresa para o anexo errado do Simples Nacional, resultando em alíquotas mais altas do que o necessário.
- Definir o regime tributário sem simulação. Optar pelo Simples automaticamente, sem comparar com Lucro Presumido, pode significar pagar mais impostos do que deveria.
- Não ter um plano de negócios. Sem entender custos, concorrência e projeção de faturamento, é fácil abrir uma empresa inviável.
- Deixar a contabilidade para depois. Como o regime tributário agora precisa ser definido antes do CNPJ, começar sem apoio contábil pode atrasar todo o processo ou gerar retrabalho.
- Ignorar as obrigações municipais e estaduais. Alvará, inscrição estadual e licenças específicas da atividade não podem ficar de fora do planejamento.
- Não reservar capital de giro. Muitos negócios enfrentam dificuldades nos primeiros meses simplesmente por falta de fôlego financeiro.
Conclusão
Abrir uma empresa em 2026 é mais rápido e mais digital, mas também exige mais planejamento técnico logo na largada — especialmente com a chegada do MAT e da Reforma Tributária. É exatamente aí que um contador de confiança faz diferença: não apenas cuidando da parte burocrática, mas ajudando você a escolher o regime tributário certo desde o primeiro dia.
Na MFC Contabilidade, acompanhamos de perto empreendedores, profissionais liberais e produtores rurais de Santo Antônio do Itambé e região há mais de 15 anos. Se você está pensando em abrir sua empresa, fale com a nossa equipe — vamos analisar seu caso e te ajudar a começar com segurança.